sexta-feira, fevereiro 10

Segue um texto da EFE – Londres, sobre a atual situação do teatro daquela capital

"Teatros londrinos batem recorde de arrecadação pelo 8º ano consecutivo:

Os teatros de West End, como é reconhecido o circuito de grandes palcos do centro da capital britânica, bateram o recorde de arrecadação na bilheteria pelo oitavo ano consecutivo em 2011, alcançando 631,4 milhões de euros.

Os números, divulgados nessa terça-feira pela SOLT - Sociedade de Teatro de Londres, fazem parte de um balanço que acompanha as bilheterias de 52 salas de teatros de Londres, o qual evidencia que em 2001 a venda de ingressos aumentou 3,1% em relação ao ano de 2010.

Segundo a organização, o aumento na venda de ingressos foi embalado por algumas estreias de musicais, caso de Matilda, e também pelos espetáculos de grande sucesso, como Os Miseráveis, que há 26 anos consecutivos é apresentado na capital britânica.

O aumento na arrecadação das bilheterias também foi amparado pelo êxito de novas produções , como a versão de Frankenstein, assinada pelo diretor de cinema Danny Boyle, além da premiada Jerusalém e a comédia One Man, Two Guvnors (...)".

Talvez essas informações possam nos levar a pensar sobre o nosso contexto, amigos.

sábado, janeiro 28

Crítica do espetáculo ‘R$ 1,99’

Criativo, inteligente e engraçado ao mesmo tempo. Trata-se de entretenimento, com doses urgentes de reflexão. Escrito, dirigido e interpretado por Ricardo Castro, que também assina figurino, sonoplastia, iluminação e cenografia, ‘R$ 1,99’ é um espetáculo que ganha destaque justamente por se afastar do tom umbilical, tão predominante dentre as peças contemporâneas que se propõem a abordar os pedregulhos do fazer artístico.

Aqui, ao contrário, o artista realiza aquele que podemos chamar de teatro ‘vivo’. De maneira sutil e descontraída, faz brotar no público um grande leque de interrogações, assim nos convidando a todos para o bom debate de ideias – que perpassa desde questões relacionadas ao valor da arte e vai alcançando uma espécie de radiografia lúdico-antropológica do atual cidadão baiano-brasileiro.

INCLASSIFICÁVEL

Em termos de gênero e estética, ‘R$ 1,99’ é de difícil carimbo. Pela maior parte do material apresentado, muitos o classificariam como sendo um stand up comedy. O que a meu ver não é o caso. Basta dizer que Ricardo Castro enche o palco com vários personagens, metidos numa gama de situações plurais.

Um monólogo, a rigor, também penso que não é. Antes, um conjunto de pequenos solos envolvidos por um arranjo dramatúrgico bem costurado e maleável, com vistas a atualizações diárias, se necessárias. Para simplificar, podemos combinar que ‘R$ 1,99’ é teatro. Teatro recomendável. Exemplar daqueles que trazem lembranças da etimologia da palavra - ‘thea-tron’: lugar de onde se vê, ou de onde se é visto, com interesse...

O trabalho peca, porém, quando se deixa estender aos noventa minutos. 1 hora seria o bastante.

Visto numa sexta-feira (27-01-12)
Hedre Lavnzk Couto

ps. sugiro a leitura de alguns textos que se encontram nos arquivos deste blog: 'comédia em pé'; e críticas dos espetáculos 'pólvora e poesia'; 'alugo minha lígua'; e 'Thomas toma blues'.