Amigos, essa peça voltará a Salvador, no próximo fim de semana (16,17,18/12). Abaixo, reproduzo as impressões que anotei sobre o mesma quando da sua última aparição por SSA.
'O homem da tarja Pálida'...
Que Deus me ajude. (paro. vou à janela. respiro. tomo café. continuo.) Meus poucos amigos sabem que se escrevo sobre uma peça de teatro na mesma noite em que a vi, das duas uma: Ou gostei muito ou...
Quando alguém que não é escritor de teatro (dramaturgo) se mete a fazer o que não sabe, parindo uma bula de um Frankenstein, quando uma atriz atrapalhada e desatenta se mete a dirigir teatro e ajuda vaidosamente a materializar o monstro, quando um sujeito que tomou inadequadamente para si o título de ator se atreve a interpretar aquilo que seria um monólogo (talvez o formato cênico, depois da ópera, mais difícil de ser realizado), quando toda uma equipe de gente se junta com muita ilusão, pouca técnica e nenhuma inspiração, temos o “espetáculo” de teatro O Homem da Tarja Preta. Este é, sem dúvida alguma, o pior espetáculo que já vi. E olha que já vi muito teatro. E muita coisa ruim. Mas o que vi na noite desta sexta-feira 29, no teatro da Casa do Comércio, em Salvador, foi uma catástrofe! Que Deus nos abençoe!
O Homem da Tarja Preta é escrito pelo psicanalista Contardo Galligaris; a direção é da atriz Bete Coelho; O ator solando é Ricardo Bittencourt. Reza a lenda que Contardo e Bittencourt tiveram a idéia do espetáculo numa noitada e, em seguida a Coelho embarcou no projeto. O que se sabe mesmo, de certo, é que Contardo, um profissional com mais de trinta anos de experiência em psicanálise clinica, perdeu uma ótima chance de ter escrito um texto ao mínimo regular. Perdeu uma boa oportunidade de transformar em arte dramatúrgica os relatos dos inumeráveis pacientes que teve ao longo do tempo. Se o autor tinha por objetivo discutir as peculiaridades do universo masculino (ele mesmo diz que pretende dividir com a platéia as indagações metafísicas a respeito de “o que é um homem?” e “como é ser homem?”), e se, além disso, ele também almejava se lançar na já, tão batita, abordagem sobre as revoluções provocadas pela Internet nos diversos tipos de relações humanas, ele o fez de maneira atabalhoada e sem o menor indício de veia artística e comunicativa. Contardo produz um objeto textual opaco. No que diz respeito ao conteúdo, ele deu provas de que não possui habilidade para dar tratamento ao texto, não sabe selecionar o que precisa ser eximiamente selecionado. Deveria ter-lhe ocorrido que não se pode contar algo ao público através do mesmo método que os seus pacientes vomitam suas histórias no consultório. Um grande dramaturgo talvez lhe esclarecesse que, tal qual fazem os ruminantes diante da comida, um escritor de teatro deve encarar seu material como um suculento bolo gástrico, fermentá-lo, digeri-lo, esculpi-lo e depois lapidá-lo. Ao escritor cabe selecionar o que, quando, e como cada frase de seu texto atingirá o íntimo do espectador. E aqui já diz respeito também as questões formais. O texto de Contardo é deformado.
E não me venham com essa de que eu sou exigente demais, ou como dizem alguns, que eu não gosto de nada. Sem essa, cara pálida. Se alguém tem a cara de pau de botar um espetáculo em cartaz assinando o texto, ele que pesquise, que experimente, que encontre um jeito de fazer algo com algum valor devidamente artístico. A arte não é para todos. Vamos parar com esse papo politicamente correto de que todos são potencialmente artistas, não somos não! A prova está aí, fui ao teatro para ver um belo espetáculo, que tratasse de maneira original, séria ou divertida as famigeradas vidas virtuais nossas de cada dia, esperava mais ainda ver os nossos diversos dilemas do mundo masculino ser virtuosamente dissecados, ironizados, ampliados, desmascarados, cumpliciados, apiedados, compartilhados, humilhados. Mas nada! O que presenciei foi apenas um fedorento arroto pornofônico. O que de fato ouvi foi a palavra “PAU” ser gritada umas oitenta vezes, o delicado verbo TREPAR ser conjugado umas cento e vinte. Sofri, dormi, e superei mais de uma hora de muita babaquice.
Em teatro costuma-se dizer que um diretor ruim pode colocar um ótimo texto a perder. Fato indiscutível. Mas também se diz que um diretor preparado e empenhado pode amenizar as deficiências e inconsistências da peça escrita. A diretora (atriz!) Bete Coelho não consegue, pois, curar o texto de Contardo. Sua encenação é desastrosa. Não é fácil dirigir um monólogo – mas como dizem os baianos da gema, “se não agüenta, pra que veio?”. Trabalhar um monólogo é brigar o tempo todo contra a ameaça constante de provocar monotonia no público. Antes de tudo o diretor tem de se mostrar um bom diretor de ator, o que Bete demonstrou que não é. Bittencourt relata que eles fizeram ‘minuciosos, obsessivos e apaixonados ensaios’, perderam tempo então, porque não se nota esse processo no resultado final. Mas ainda sobre a corrida contra o fantasma da monotonia, em monólogos a direção tem de explorar bem a movimentação, ou a disposição do ator e do cenário (se este existir) sobre o palco. Isso a diretora não faz. É preciso ainda criar uma perfeita sintonia de tempo, rítmo, compasso entre as ações do ator com o trabalho de todos os elementos do espetáculo. Isso também a diretora não consegue fazer. Espetáculo de texto ruim, com direção frouxa. Valha-me, Deus!
A luz de Wagner freire é muito descarada. A sonoplastia, que poderia ter ajudado... Alguém lembra? O figurino de Rodrigo Fraga vai ganhar o Shell do descabimento, que licença poética hiperbólica é essa de colocar alguém que trabalha, de madrugada, na própria casa, usando terno, e fúnebre?! Rodrigo como sempre, é inteligente demais para meu pequeno cérebro. Agora a cenografia, ai, ai... A Flávia Pedras Soares, ex mulher de Jô Soares, quis criar um home-office de apartamento de classe média, mas o que ela fez, mesmo, foi a reconstrução daquilo que imagino se aproximar muito de um lúgubre compartimento da biblioteca de Alexandria, aquela que pegou fogo, lembra? Pois bem, não satisfeita com esse desastre visual e semântico, esta senhora ainda me inventou ter realizado a direção de arte deste monólogo. Gente... Direção de arte é uma função oriunda do cinema, presume-se qualidade, riqueza artística, precisão. Até agora eu estou procurando esta direção de arte de Flávia Soares. Oh Jô, me ajuda aí, Jô! Pedras, Pedras...
Eis que não se pode deixar de comentar o desempenho da interpretação de Ricardo Bittencourt, ator vindo de escolas e de diretores viscerais como o baiano Paulo Dourado e o paulistano Zé Celso Martinez. Ricardo que me perdoe, mas neste trabalho ele está dando um vexame de ferir de morte qualquer amante do bom teatro. Zé Celso é um gênio, mas o ator que trabalha muito com ele corre o risco de perder o norte das coisas, anoto. No palco, o personagem de Ricardo é um *bufão indigesto. E não me venham os senhores sabichões de Plantão dizer que esta foi a intenção, porque está indigesto demais para conseguir ganhar a atenção de qualquer público que tenha estômago. E igualmente não me venham falar que a tal da intenção foi incomodar e chocar mesmo a platéia, porque essa é a única função que sobrou ao teatro dito pós-moderno, do qual o Zé Celso (professor do Ricardo) é mestre e doutor em fazer e defender e arrotar. Do trabalho de Bittencourt neste monólogo, nada se salva.
E se eles dizem que ‘O Homem da Tarja Preta’ é um espetáculo sobre uma das maiores questões do mundo moderno – “Não é fácil ser homem!” – eu já digo que o fracasso e a falta de qualidade do trabalho deles, me fez refletir ainda mais sobre aquela que é, sim, uma das maiores questões do Teatro Moderno: diante de tanta coisa mal feita, sem inspiração e sem sentido artístico e intelectual, e ainda sofrendo a concorrência titânica dos meios de comunicação de massa, até quando o teatro existirá?
*Bufão: diz respeito a um tipo do mundo dos palhaços. Tem por características ser extremamente desagradável, violento e extravagante. Podendo arrotar, bufar, escarrar, urinar, cagar, se masturbar, copular, agredir os seus contracenas e mesmo, a depender do caráter da apresentação, o próprio público. (nota de Hedre)
Hedre Lavnzk Couto
Espetáculo visto em 29/01/10 em Salvador.
p/ Carol, com saudades.
sexta-feira, dezembro 9
de Fredie Didier
"É preciso que o rigor não seja interpretado como tirania, o refinamento como boçalidade, e a inteligência, como insulto".
Boa reflexão, não?!
Boa reflexão, não?!
terça-feira, dezembro 6
Muita Gentileza...
Queridas Duda Sobral (Niterói) e Svetlana Petrovna (Moscow), muito obrigado.
Hedre Lavnzk Couto.
Hedre Lavnzk Couto.
sábado, dezembro 3
Crítica do espetáculo ‘Árvores Abatidas ou Para Luis Melo’
‘Árvores Abatidas ou Para Luis Melo’, peça paranaense, é o melhor espetáculo que vi em Salvador, neste ano de 2011. Surpreendente e consistente. Teatro, no sentido pleno da arte.
Trata-se de um monólogo, inspirado em obra do romancista e dramaturgo Thomas Bernhard, com texto e direção de Marcos Damaceno, desempenhado pela completa atriz Rosana Stavis.
O OUTRO, COMO ESPELHO
Convidada para um jantar da classe artística, ela (também uma artista), encontra-se sentada na “megera” anti-sala-de-estar da casa dos Auesberg, aguardando pela chegada do homenageado da noite, o famoso ator brasileiro, “que faz até telenovelas”, Luis Melo... À medida que o tempo passa e prolonga-se a espera, a personagem vai escancarando ao público ‘a dor e a delícia’ de seu convívio social com as idiossincrasias do meio artístico.
Com temperamento impudico e lúdico, a sarcástica observadora destila o seu veneno ácido, um metralhadora potente, cuja munição é crítica sagaz e muitíssima bem humorada, que atinge a todos em cheio: escritores, músicos, atores, diretores, críticos, e até espectadores. Porém, texto e direção são de tal ordem sensíveis, que aquilo que se vê em cena está longe de ser um discurso deslocado ou mesquinho, ao contrário: mesmo sendo um alfinetada contundente aos egos exacerbados, a personagem não esconde possuir os mesmíssimos ‘defeitos’ dos pares, e o resultado não deixa de ser um abraço honesto a “essa gente com a qual eu decidi conviver”.
COMPETÊNCIA
Por outro lado, a despeito do assunto ou temática, a meu ver, o que mais qualifica a peça é justamente a plenitude verificada na sua execução: verdadeira aula de como lidar habilidosa e equilibradamente com os elementos do espetáculo, construindo um objeto artístico onde as partes, afinadas, se alinham formando um todo cativante.
SE MONÓLOGO, LOGO DIFÍCIL
O monólogo pode, longe de dúvida, ser dito ao lado da ópera como os dois formatos cênicos mais complexos. Por isso, ao cabo de 80 minutos, aplaudi com entusiasmo este ‘Árvores Abatidas...’ Marcos Damaceno orquestrou de maneira inteligente todos os artistas que trabalharam na composição da peça. E o resultado disso? Bom teatro. E no bom teatro o público raramente nota a presença do diretor. Porque lá tudo parece simples, parece obedecer as inexoráveis leis da natureza.
O monólogo de Damaceno não cai em monotonia em hora alguma. E como ele conseguiu? Ora, ele é um artista talentoso e [EFICAZ!]. Escreveu um ótimo texto. Escolheu uma ótima atriz e a dirigiu minuciosa e brilhantemente. Entendeu que para um monólogo não desabar em vários poços de desinteresse, faz-se preciso eleger, cirurgicamente, os tipos, os momentos, as intensidades das transições – tanto as relacionadas com a composição ‘psico-física’ da personagem bem como as outras resultantes da interação daquela com o espaço e o público. Simples, acertar assim? Não. É difícil mesmo. E poucos diretores conseguem.
TEATRO DE CÂMARA?
Assim a escolha da direção por uma cenografia altamente funcional (uma poltrona móvel sobre um esplendoroso tapete persa) perfeitamente entrosada com uma iluminação eficiente (que, na minha opinião, mereceria, por vezes, ser mais recortada) e mais a providencial presença de um violinista, à esquerda baixa do palco, que, construindo ao vivo a trilha sonora, acaba por estabelecer com a personagem a dinâmica de um verdadeiro diálogo musical; aliado a escolha de um figurino ‘simplificado’, tudo isso, todas essas decisões acertadas e discretas, conferem ao espetáculo um sensação de estarmos recebendo aquela curiosa figura daquela mulher em nossa própria sala-de-estar. Uma agradável e divertida visita, proporcionada por um belo exemplar de teatro câmara.
ROSANA STAVIS
É uma felicidade estarmos na presença de uma grande atriz. Com este trabalho Rosana Stavis comemora duas décadas de carreira. Só posso dizer que é um aniversário em grande estilo. Brinda-nos ela com uma versatilidade impressionante. Trabalho corporal apuradíssimo. Além de manifestar admirável domínio vocal: basta dizer que chega a presentear a platéia com instantes de canto lírico.
END
A iluminação e a cenografia são de Waldo León. E composição musical, de Gilson Fukushima. E o figurino, de Maureen Miranda. Eu recomendo este espetáculo que estará em cartaz, em salvador, na Caixa Cultural até domingo próximo, sempre às 20 horas. É mesmo uma pena que quem faz teatro não assisti teatro – por na maioria das vezes está, também, no teatro, trabalhando. Mas, como temos pouquíssimos espetáculos ora em cena, sugiro, principalmente a atores e diretores que o vejam.
Ps: Carolina vai ficar “P.”, mas, esta crítica irei dedicar a Maria João, minha leitora mais que assídua, que acabou de inaugurar a promissora profissão de crítica de crítico de teatro.
P/ M. J., com meloso afeto.
Hedre Lavnzk Couto.
Trata-se de um monólogo, inspirado em obra do romancista e dramaturgo Thomas Bernhard, com texto e direção de Marcos Damaceno, desempenhado pela completa atriz Rosana Stavis.
O OUTRO, COMO ESPELHO
Convidada para um jantar da classe artística, ela (também uma artista), encontra-se sentada na “megera” anti-sala-de-estar da casa dos Auesberg, aguardando pela chegada do homenageado da noite, o famoso ator brasileiro, “que faz até telenovelas”, Luis Melo... À medida que o tempo passa e prolonga-se a espera, a personagem vai escancarando ao público ‘a dor e a delícia’ de seu convívio social com as idiossincrasias do meio artístico.
Com temperamento impudico e lúdico, a sarcástica observadora destila o seu veneno ácido, um metralhadora potente, cuja munição é crítica sagaz e muitíssima bem humorada, que atinge a todos em cheio: escritores, músicos, atores, diretores, críticos, e até espectadores. Porém, texto e direção são de tal ordem sensíveis, que aquilo que se vê em cena está longe de ser um discurso deslocado ou mesquinho, ao contrário: mesmo sendo um alfinetada contundente aos egos exacerbados, a personagem não esconde possuir os mesmíssimos ‘defeitos’ dos pares, e o resultado não deixa de ser um abraço honesto a “essa gente com a qual eu decidi conviver”.
COMPETÊNCIA
Por outro lado, a despeito do assunto ou temática, a meu ver, o que mais qualifica a peça é justamente a plenitude verificada na sua execução: verdadeira aula de como lidar habilidosa e equilibradamente com os elementos do espetáculo, construindo um objeto artístico onde as partes, afinadas, se alinham formando um todo cativante.
SE MONÓLOGO, LOGO DIFÍCIL
O monólogo pode, longe de dúvida, ser dito ao lado da ópera como os dois formatos cênicos mais complexos. Por isso, ao cabo de 80 minutos, aplaudi com entusiasmo este ‘Árvores Abatidas...’ Marcos Damaceno orquestrou de maneira inteligente todos os artistas que trabalharam na composição da peça. E o resultado disso? Bom teatro. E no bom teatro o público raramente nota a presença do diretor. Porque lá tudo parece simples, parece obedecer as inexoráveis leis da natureza.
O monólogo de Damaceno não cai em monotonia em hora alguma. E como ele conseguiu? Ora, ele é um artista talentoso e [EFICAZ!]. Escreveu um ótimo texto. Escolheu uma ótima atriz e a dirigiu minuciosa e brilhantemente. Entendeu que para um monólogo não desabar em vários poços de desinteresse, faz-se preciso eleger, cirurgicamente, os tipos, os momentos, as intensidades das transições – tanto as relacionadas com a composição ‘psico-física’ da personagem bem como as outras resultantes da interação daquela com o espaço e o público. Simples, acertar assim? Não. É difícil mesmo. E poucos diretores conseguem.
TEATRO DE CÂMARA?
Assim a escolha da direção por uma cenografia altamente funcional (uma poltrona móvel sobre um esplendoroso tapete persa) perfeitamente entrosada com uma iluminação eficiente (que, na minha opinião, mereceria, por vezes, ser mais recortada) e mais a providencial presença de um violinista, à esquerda baixa do palco, que, construindo ao vivo a trilha sonora, acaba por estabelecer com a personagem a dinâmica de um verdadeiro diálogo musical; aliado a escolha de um figurino ‘simplificado’, tudo isso, todas essas decisões acertadas e discretas, conferem ao espetáculo um sensação de estarmos recebendo aquela curiosa figura daquela mulher em nossa própria sala-de-estar. Uma agradável e divertida visita, proporcionada por um belo exemplar de teatro câmara.
ROSANA STAVIS
É uma felicidade estarmos na presença de uma grande atriz. Com este trabalho Rosana Stavis comemora duas décadas de carreira. Só posso dizer que é um aniversário em grande estilo. Brinda-nos ela com uma versatilidade impressionante. Trabalho corporal apuradíssimo. Além de manifestar admirável domínio vocal: basta dizer que chega a presentear a platéia com instantes de canto lírico.
END
A iluminação e a cenografia são de Waldo León. E composição musical, de Gilson Fukushima. E o figurino, de Maureen Miranda. Eu recomendo este espetáculo que estará em cartaz, em salvador, na Caixa Cultural até domingo próximo, sempre às 20 horas. É mesmo uma pena que quem faz teatro não assisti teatro – por na maioria das vezes está, também, no teatro, trabalhando. Mas, como temos pouquíssimos espetáculos ora em cena, sugiro, principalmente a atores e diretores que o vejam.
Ps: Carolina vai ficar “P.”, mas, esta crítica irei dedicar a Maria João, minha leitora mais que assídua, que acabou de inaugurar a promissora profissão de crítica de crítico de teatro.
P/ M. J., com meloso afeto.
Hedre Lavnzk Couto.
sexta-feira, dezembro 2
O teatro do Diretor...
“É tarefa do diretor encontrar o ponto de vista a partir do qual poderá descobrir as raízes da criação dramática. (mas,) Este ponto de vista não pode ser escolhido arbitrariamente”.
Piscator.
Piscator.
quinta-feira, dezembro 1
Dawson Ilha 10
Está em cartaz, a mais mova película do diretor chileno Miguel Littin.
Embora a narrativa seja inconsistente e o elenco no geral desempenhe um trabalho irregular, sem dúvida, vale o bilhete.
Inspirado no livro 'Isla 10', de Sérgio Bittar, o filme aborda parte de um delicado momento vivido pela nação chilena, com o advento da ditadura do general Pinochet. O interessante é que a direção não se rende a eterna tentação da arte maniqueísta - aquela incorruptível, para alguns cineastas, guerra entre mocinhos e vilões. Ao contrário, longe de ser piegas, o novo Littin é inteligentemente reflexivo.
Além disso, é uma boa oportunidade para admirar a excelente performance do ator baiano Bertrand Duarte - uma construção de personagem bastante pormenorizada, cativante e minimalista, no melhor estilo "menos é mais".
Melhor papel já defendido por Bertrand, 'sin embargo'.
Hedre Lavnzk Couto
Embora a narrativa seja inconsistente e o elenco no geral desempenhe um trabalho irregular, sem dúvida, vale o bilhete.
Inspirado no livro 'Isla 10', de Sérgio Bittar, o filme aborda parte de um delicado momento vivido pela nação chilena, com o advento da ditadura do general Pinochet. O interessante é que a direção não se rende a eterna tentação da arte maniqueísta - aquela incorruptível, para alguns cineastas, guerra entre mocinhos e vilões. Ao contrário, longe de ser piegas, o novo Littin é inteligentemente reflexivo.
Além disso, é uma boa oportunidade para admirar a excelente performance do ator baiano Bertrand Duarte - uma construção de personagem bastante pormenorizada, cativante e minimalista, no melhor estilo "menos é mais".
Melhor papel já defendido por Bertrand, 'sin embargo'.
Hedre Lavnzk Couto
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